12 de julho de 2020

BOLO DE MAIZENA COM CREME E MERENGUE



Minhas tias fizeram parte da minha infância e adolescência,
 com ingredientes de amor e ódio. Uma menininha arteira, esperta e grudenta
é tudo o que garotas adultas com namorados  não querem por perto,
e eu gostava de estar por perto. Aí vinham os beliscões, que deixavam
marcas roxas, e outras atitudes hostis, cujo objetivo era me fazer ir embora.
Eu ia, e eu chorava! Mas havia também uma estratégia de afastamento, que era
muito menos agressiva e muito mais eficiente. Um pedaço de bolo
de maisena, com cobertura de creme e merengue. Essa era a mais
perfeita expressão do amor. Era amor em pedaço!
Eu perdi contato com as minhas tias, algumas já se foram, 
mas, de repente eu encontrei uma receita, testei e resgatei o sabor da infância,
da adolescência e da minha relação com as minhas tias.
Aí vai ele! Se você quiser saber que gosto tem a minha infância,
a minha adolescência, ponha as mãos na massa e eu descubra o legítimo sabor
do amor, do meu amor por esse bolo.




Ingredientes:
3 ovos (claras e gemas separadas)
1 1/2 xícara (chá) de açúcar
3 colheres (sopa) de manteiga
1 xícara (chá) de farinha de trigo
1 xícara (chá) de maisena
1 xícara (chá) de leite
1 colher (sopa) de fermento em pó

Creme de confeiteiro

Ingredientes:
4 xícaras de leite
1 xícara de açúcar
1 pedaço de casca de laranja
3 gemas
2 1/2 colheres (chá) de farinha de trigo, ou 2 colheres (sopa) de maizena.
1 pitada de sal
1 gota de essência de baunilha

Modo de fazer: Aqueça o leite, o sal e a casca de laranja em uma panela de fundo grosso, de preferência, em fogo baixo. Ao mesmo tempo, em uma tigela grande, misture o açúcar e a farinha ou o amido de milho e  adicione as gemas, uma de cada vez, mexendo com um batedor de arame até ficar homogeneizado.Quando o leite estiver quente, adicione 1 xícara à tigela um pouco de cada vez, mexendo continuamente para evitar grumos. Aumente um pouco o calor e transfira a mistura de ovos para a panela com leite. Continue cozinhando, mexendo sempre até engrossar e borbulhar por 1 minuto. Retire do fogo e reserve.

Merengue:

Modo de fazer:
Na batedeira, coloque o açúcar, a manteiga e as gemas e bata até obter um creme homogêneo. Sem parar de bater, acrescente alternadamente a farinha peneirada, a maisena dissolvida no leite e, por último, o fermento em pó.
Misture delicadamente as claras, batidas em neve, e transfira para uma assadeira untada e enfarinhada. Leve para assar em forno preaquecido até que, enfiando um palito, ele saia limpo (cerca de 30 minutos). Retire do fogo, cubra com o creme e espalhe o merengue sobre o creme. Leve ao forno para dourar o merengue. Você pode dourar o merengue com um maçarico culinário. Retire, deixe esfriar e sirva. É maravilhoso!








4 de julho de 2020

BRUSCHETTA AL POMODORO

 
Tem muitas coisas que me deixam fascinada,
e que despertam o dragão do meu instinto.
É a coleção de sensações, inesperada,
e a  explosiva expressão do amor que eu sinto.

São  as batidas ritmadas do tambor,
é a lua cheia se elevando no horizonte,
é a silenciosa expressão do teu amor,
que é como um rio atravessando sob a ponte.

São os perfumes do jardim, na madrugada,
é o desejo que desperta os meus sentidos,
é a minha alma com a tua,  misturada,
é a tua voz  sussurrando em meus ouvidos.

É a brisa fresca atravessando a janela,
são as cortinas flutuando, com leveza,
é a luz do fogo que consome a vela,
e incrível luz dos teus olhos, sempre acesa.

É a mariposa se chocando na vidraça
são noites quentes, perfumadas pela uva,
é o desejo por você, que nunca passa,
é a alegria de eu  tomar  banho de chuva...

É a flor tão bela, em  sua vida breve,
são os perfumes exalados pelo vinho,
e o raro encanto de um floco de neve,
é a doçura de um gesto de carinho...

Há tantas coisas que me deixam fascinada,
porém nada é maior do que o encanto,
quando eu desperto o teu amor, de madrugada,
e você ouve o som da música que eu canto.





Eu gosto de comida com história, e a protagonista é sempre a comida. Eu sou descendente de italianos, e eu tenho, em minha memória, muitas das comidas que eu aprendi com as minhas avós e a minha mãe. Essa receita, entretanto, não é uma delas. Eu sempre ouvi falar das bruschettas, mas nunca tive interesse em prová-las ou prepará-las.Um dia, eu me senti uma descendente indigna da minha origem. Como pode uma descendente de italianos  não conhecer a bruschetta?  Fui atrás dessa ilustre personagem da gastronomia italiana, uma "fetta" de pão" bruscato", marcado na grelha e temperado sal e um fio de azeite,  uma especialidade do Lazio, Abruzzo Toscana. Como todo prato, a bruchetta foi recebendo diversas versões. A cobertura mais comum é a de tomate, mas usa-se também berinjela,mussarela de búfala e até feijão, como na  Úmbria e na Toscana. Fiz alguns testes, mas eu me apaixonei pela técnica e pela receita de um notável italiano e ex-chefe do restaurante Fasano, Luciano Boseggia. Foi amor à primeira vista. Agora sim, eu sou uma descendente de italianos digna da minha origem! ...risos....
Você pode comer bruschetta com chá, como eu, mas com vinho é sempre melhor. Para domar e se harmonizar com a acidez do tomate, o vinho precisa ser gentil, com boa acidez, como um Chianti clássico, como  o Fratello San Pancrazio,  ou um Chianti Gentilesco Bonacchi 
Pegue o seu avental e vamos para a cozinha, porque esta noite tem lua cheia, e a lua fica ainda mais sedutora, quando bem acompanhada.. Boa noite, para você, que gosta de comidas com histórias! Boa noite para você, que adora noite de lua com buschetta e vinho! Você tem bom gosto!


Ingredientes:

6 fatias de pão italiano (tipo filão)
4 tomates, bem maduros
1 dente de alho
Um punhado de folhas limpas e secas de manjericão
Sal a gosto
Azeite a gosto


Modo de fazer:  É no preparo que está o pulo do gato! Retire a pele dos tamotes. Eu fervo água em uma panela, deixo o tomate por poucos minutos e do um choque térmico com água fria. A pele se solta e o tomate permanece fresco e vivo.
Retire a pele e as sementes. e corte os tomates em cubinhos, salgue levemente, e deixe o tomate escorrer o excesso de líquido. Tempere com pimenta do reino e azeite a gosto.
Corte as fatias do pão italiano, com cerca de 1cm de espessura, descasque o alho e esfregue o alho na
superfício das fatias, em ambos os lados. Cubra as fatias com porções de tomate temperados e leve ao forno preaquecido a 190º C, até que as bordas comecem a mudar de cor, ficando levemente douradas.
Retire e salpique com folhas de majericão limpas e secas. e sirva. É maravilhosa a harmonia dos delicados sabores, e o contraste entre a crocância e a maciez do pão. A simplicidade é o mais alto patamar da sofisticação!
  

8 de fevereiro de 2020

PICADINHO DE CARNE DE PORCO AGRIDOCE

Teu sorriso  de menino,
sutil e quase impreciso,
ilumina o meu destino,
é a  porta do paraíso...
Discreto e misterioso,
com um toque sedutor,
é lindo e delicioso,
é um sol que me dá calor.
Teu sorriso é tsunami,
é a isca de uma armadilha,
não existe quem não ame,
essa oitava maravilha...
Teu sorriso me conquista,
é o diamante que  brilha,
 é o fogo e também  a faísca,
é o calor na virilha...
É isso que eu sempre digo!
Tão belo, avassalador,
teu sorriso é um perigo,
que me faz morrer de amor.

Humhum! Bem! Na vida tudo é agridoce. Poesia, comida! Eu acho que a única coisa que é sempre doce, é o teu sorriso. Rindo, eu confesso, eu estou exagerando na fase doce da receita. Está ficando melada. Vamos falar sério! A cozinha oriental consagrou a harmonia entre a carne de porco e o abacaxi. É um casamento feliz, e eu me senti muito atrevida e bem sucedida no teste. Eu adorei o sabor que eu consegui dar ao prato. Arrancou sorrisos. No teste, a minha única ressalva é o tamanho do cubo da carne. Na próxima eu os cortarei menores. Eu estou contratando um curso intensivo para aprender a comer com hashi, aquele par de pauzinhos. Agora só falta isso! ...muitos risos...
Boa tarde para você que gosta de comida oriental. Boa tarde para você, que sabe comer com hashi! Boa tarde para você que gosta de sorrisos doces! Você tem bom gosto! Vamos cozinhar juntos? 

Ingredientes:

400 g de lombo de porco (eu prefiro o filet mignon suíno)
1 cebola média
2 dentes de alho
1 pimentão vermelho
1/2 abacaxi
1/2 maço de couve
1 xícara de shoyo
1 xícara de água
2 colheres de amido de milho
2 colheres de óleo de gergelim torrado.





Modo de fazer: Limpe bem a carne e corte em cubinhos de 2 cm. Eu prefiro cortar menor. Corto de 1 a 1,5 cm. Corte as todos os demais ingredientes em tamanhos similares, em cubinhos ou quadradinhos. O pimentão pede algum cuidado. Retire a tampa, limpe as sementes e as fibras brancas, que são mais indigestas, e corte em quadradinhos, então.
Misture a xícara de shoyo com a xícara de água, dissolva a maisena nessa mistura e reserve.

A panela ideal é a wok, mas se você não tem uma, use a que você tem. Panelas de aço ou ferro são melhores, porque esquentam mais e selam

melhor a carne. Leve a panela ao fogo alto, com um filete de óleo. Entenda por filete, umas 3 ou 4 colheres de óleo. Frite a carne, até selar todos os lados. Adicione a cebola e o alho e refogue. Misture o pimentão, a seguir, e continue refogando. A cebola estiver macia, misture o abacaxi e continue mexendo, até o abacaxi incorporar e cozinhar alguns minutinhos. Mexa bem a mistura do copo com o shoyo e a maisena, e despeje na panela, misturando bem. Deixe cozinha, até obter um brilho na mistura da panela. Esse brilho é o sinal do cozimento da maisena. Adicione a couve picada, polvilhe com o óleo de gergelim, mexa e desligue. Está pronto, lindo, cheiroso, saboroso, delicioso. Sirva com arroz branco. O ideal é servir com o arroz japonês, aquele grudentinho. Como os pausinhos, se puder. É hashi que fala, né! Se você for como eu, que não coordena os pauzinhos de jeito nenhum, use garfo e faca. O sabor vai continuar incrível!
















CARNE FATIADA COM LEGUMES






Num lugar onde a terra termina,
e onde céu encontra o horizonte,
na imensidão da campina,
o luar edifica uma ponte.
Num lugar de vastas planuras,
protegido nas sombras de um forte,
o meu olhar, ansioso, procura,
que a luz do luar me transporte.
Num lugar, muito além da fronteira,
onde está o meu amor, tão distante,
eu me visto com a tua bandeira,
e eu te sigo, meu guerreiro errante.
Num lugar, onde eu não sei onde,
e onde o meu pensamento flutua,
a luz do luar não me esconde,
e eu ando no céu, triste e nua.

Eu sei, eu sei! Você vai dizer que é covardia e falta de gosto, eu publicar a minha poesia com as minhas receitas prediletas, mas a comida é mais que alimento, é algo que nos sacia,  ela envolve sentimento - comida é quase poesia. Acho que eu vendi o meu peixe. ...muitos riosos...
Eu gosto dos rituais da comida, da riqueza de sabores, da mesa posta. Isso nada a tem a ver com taças, talheres ou porcelana. Comida caprichada, mesa posta significa acolhimento, afeto, amor, amizade, alegria, prazer de viver. Isso não tem fronteira. Eu ando me aventurando lá pelo oriente. Eu me sinto pisando sobre ovos, porque eu não sei muito bem onde começa a comida  japonesa e onde começa a chinesa. Eu espero que isso não seja um impedimento para uma aventura. Eu amo essa carne fatiada com legumes, e aqueles sabores e texturas me pareciam ser possíveis apenas vindas das caixinhas chingling. Fui para a cozinha, testei essa receita e eu me senti uma legítima chinesa. Amei o sabor. Vai lá! Testa você também! É uma delícia! Boa tarde para você que sabe muito sobre tudo! Boa tarde para você que está sempre disposto a aprender, a explorar, a descobrir os segredos da cozinha e da vida. Boa tarde para você que gosta de testar os seus limites, para descobri que não tem limites. Boa tarde para você que ama a vida! Boa tarde para você, que me ama! Eu mereço! ...muitos risos...





Ingredientes

300 g bife de filet mignon, mas pode usar alcatra

1 brócolis pequeno
1 cenoura grande
1 cebola grande
10 cogumelos Paris frescos
2 dentes alho
1 colher de sopa gengibre ralado
1 xícara shoyu
1 xícara água
1 colheres de sopa amido de milho
1 colher de chá açúcar
1 colher de sopa vinagre branco (de maçã ou arroz)
Azeite ou óleo de gergelim
a gosto Pimenta do reino



Modo de fazer: Corte os bifes em tirar, como na imagem. Descalque a cenoura e corte as rodelas finas, com mais ou menos 2 mm de largura, e na diagonal. Corte a cebola em pétalas. Depois de lavar bem o brócolis (eu o despenco e deixo imerso em uma solução de água e vinagre, por uns 15 min, enxaguo e deixo escorrer) corte as pencas em fatias,  também diagonais, e não muito grossas. Lave bem os cogumelos, seque-os, e corte-os em fatias. Rale o gengibre e reserve. Como eu gosto de harmonia, eu uso apenas uma colher de chá, de gengibre ralado.

Junte a água, o shoyu, o açúcar, o amido e o gengibre ralado e misture bem.


Em uma wok, ou uma frigideira grande, coloque o azeite ou o óleo de gergelim e, em fogo alto, frite a carne, rapidamente. Nessa fase eu costumo temperar a carne com pimenta do reino moída. Quando a carne estiver selada, acrescente a cebola, o brócolis, a cenoura e o cogumelo, misture bem, e cozinhe por cerca de 2 a 3 minutos, em fogo médio, até perceber que os legumes estão murchos, mas al dente.


Acrescente  a mistura já preparada de shoyo, misture bem até engrossar um pouco, em fogo baixo. Não deixe ferver, para não amargar o shoyo, ou amolecer demais os legumes. 

Sirva com arroz branco sem tempero, de preferência o arroz japonês
Se quiser pode colocar um pouco de amendoim ou gergelim torrado para finalizar

6 de dezembro de 2019

ISCAS DE BACALHAU




A luz das estrelas refletidas no rio,
silêncio e tristeza rondando a floresta,
meu corpo cansado arrepia de frio,
a noite consome a luz que me resta.
Há medo e mistério no escuro da noite,
sons desconhecidos parecem gemidos,
os gritos das aves são como um açoite,
e o rio vai levando os meus sonhos perdidos.
A vida é assim, uma exploração,
uma expedição que atravessa a floresta,
é luta entre o sonho e as pedras do chão,
e a dança do medo,  no meio da festa.
As águas tranquilas murmuram na areia,
o rio, como espelho, refletindo a lua,
eu sou, nesse instante, uma ninfa ou sereia,
a deusa das matas, caminhando nua...

Sim, a vida é uma expedição exploratória, na qual cada um escolhe 
os territórios que pretende explorar. Eu amo as florestas, onde o meu
 olhar de bióloga explora a natureza, o meu olhar de poeta explora 
os mistérios, a beleza e a solidão da paisagem, mas o meu olhar de
 cozinheira explora a oferta de alimento. Peixes, aves, frutas...
 Esse imenso arsenal disponível me leva à exploração dos sabores.
Quando nós comemos, nós usamos todos os nossos sentidos.
Comida é mais que alimento, é uma espécie de magia,
que a gente morde com os dentes, e a alma sente alegria.
Rindo, eu acredito que você está esperando uma comida
florestal, mas como esta é uma viagem exploratória, hoje
o prato é um simples e delicioso prato de bacalhau, da gastronomia
portuguesa. Eles chamam esse prato de patanisca, mas eu resolvi
dar o nome de isca, melhor entendido pelos brasileiros. Poderia
ser chamado de bolinho, mas seria confundido com o clássico bolinho
de bacalhau, feito com massa de batata. Ainda rindo, eu prometo: na 
próxima postagem, eu publicarei uma receita da região Amazônica, que 
eu tanto amo. Chega de conversa! Mão a obra! Vamos para a cozinha!
Depois nós poderemos degustar os bolinhos, com uma caneca de cerveja.
Eeeebaaa! Viva a vida! Viva essa maravilhosa viagem exploratória.



Ingredientes:
200 g de bacalhau dessalgado, limpo e ligeiramente desfiado
1 cebola picada
2 dentes de alho
Salsa a gosto
4 colheres de sopa bem cheias de farinha de trigo sem fermento
3 ovos
1 cerveja
Sal
Pimenta preta
Modo de fazer: Cozinhe ligeiramente o bacalhau e desfie,
 retirando as espinhas.


Coloque o bacalhau numa tigela,
e adicione a cebola e alho picados,
 a salsa, os ovos, e mexa bem.
Juntar  a farinha, aos poucos
alternando com a cerveja, até adquirir
a consistência desejada.
Se prefere a massa mais densa, use menos cerveja;
se prefere,  como eu, as iscas mais finas,
use a massa mais líquida. colocando mais cerveja.
Tempere com sal e pimenta a gosto,
e frite, em óleo quente, até dourar levemente.
Retire do fogo, escorra em papel toalha
e sirva quente, com uma gelada e saborosa
caneca de cerveja.



10 de novembro de 2019

NHOQUE DE RICOTA




Mistura de ingredientes,
com uma espécie de magia,
que a gente morde com os dentes,
e a alma sente alegria.
Comida é mais que alimento,
e aquilo que nos sacia,
ela envolve sentimento,
comida é quase poesia.

Quando nós comemos, usamos todos os nossos sentidos, até o sexto sentido. Paladar, visão, audição, tato, olfato, tudo entra em ação, quando comemos, mas uma comida gostosa, além de nós seduzir, ainda vem carregada de memória afetivas. Quem de nós já não se lembrou de um momento feliz, de uma pessoa querida, ao sentir o cheiro, ao degustar uma comida? Eu preso muito as emoções, as sensações, a atávica saudade que pode  temperar e enriquecer uma comida. Talvez sejam as minhas origens italianas que acentuam essa paixão, essa busca em resgatar técnicas e sabores que me levem às minhas raízes. É muito reconfortante descobrir que esses meus sentimentos com relação à comida são compartilhados por muitas pessoas. O interesse por essa receita, foi despertado por uma americana, de origem italiana que, ao visitar seus primos em Milão, eles apresentaram a ela, esse nhoque de ricota,   prometendo que, a cada mordida, quando o nhoque atingisse a sua língua, seria como consumir um pedaço de uma nuvem fofa no céu. Essa imagem mental de uma iguaria tão celestial, me fez desejar conhecer a sensação. E lá fui eu para a cozinha, não antes de pesquisar um tutorial para aprender fazer uma "salsa di pomodoro" à moda dos meus nonos. Eu achei muito bom, mas como a expectativa era alta demais, eu ficou devendo. Não chegou ao status de iguaria celestial, mas passou no quesito comida gostosa. O que contribuiu, com certeza, para que o resultado não chegasse ao céu, foi que a nossa ricota, seca e arenosa,  é muito diferente da ricota italiana maravilhosamente cremosa. De qualquer forma, o que restou definido, é que a comida não é apenas um alimento, são também histórias de vida, de sensações e de memórias afetivas. Bom dia, para você que concorda comigo. Bom dia, para você, que discorda. Bom dia para você que já comeu nuvens do céu! Bom dia para você, que só se satisfaz com um bife sangrando! Bom dia para você, que gosta de tudo! Bom dia para você, que gosta de mim. Você tem bom gosto. ...muitos risos...





Ingredientes:
1½ xícaras de queijo ricota com 100% de gordura de leite.
 Como a ricota brasileira é bem mais seca e arenosa do que a italiana, eu uso um truque
 Eu amasso a nossa ricota com 3 ou 4 colheres de creme de leite, ou até obter uma massa bem lisinha e hidratada.
½ xícara de farinha de trigo
1 ovo batido
Uma pitada de nós moscada.
½ colher de chá de sal

Molho a gosto. Eu usei um molho de tomate preparado com a técnica de um noninho italiano.
Ingredientes:
4 colheres de azeite de oliva
1 cebola média
1 dente de alho
1 talo de aipo (salsão)
1 cenoura
1 kg de tomates bem maduros, para molho



Modo de fazer o molho: Lave bem os tomates, corte-os pela metade, e retire as semente, apenas apertando as metades. Coloque tudo em uma panela com um copo de água, e deixe ferver, até que fiquem moles. Retire do fogo, bata com um processador ou um liquidificador e reserve. Pique todos os demais ingredientes muito bem picadinho, refogue em uma panela com o azeite e junto o tomate processado. Deixe cozinhar lentamente, até obter um molho lindo e denso. Salgue a gosto. Eu, como sempre, adicionei um pouco de manjerona. Eu não vivo sem manjerona. O molho ficou divino.

Modo de fazer o nhoque: Misture a ricota com o creme de leite, e amasse bem, até obter uma massa homogênea. Eu não usei processador, mas eu acho que uma batida rápida facilitaria o trabalho.
Misture o sal, a nós moscada e o ovo e adicione a farinha, até obter uma massa com uma textura firme, mas levemente pegajosa.

Ferva água abundante em uma panela e modele os nhoques com uma colher. Como eu não gosto de nhoques grandes, eu usei uma colher de chá. O politicamente correto é uso de duas colheres, uma para pegar a massa, a outra para retirá-la de colher, mas não é proibido usar o dedo de uma mão muito limpa, para fazer esse serviço (risos). O cozimento segue o rito de todos os nhoque. Retire quando subir à superfície da água fervendo.
Deixe escorrer, coloque em um refratário e cubra com o maravilhoso molho. Como uma boa brasiliana, eu sempre dou uns toques pessoais à receita. Eu polvilhei os nhoques com parmesão ralado. Encontre a sua versão e delicie-se.





7 de novembro de 2019

CANUDO COM CREME DE CONFEITEIRO (com levain ou fermento seco)


Felicidade é assim!
Se ela vem, ninguém segura,
parece que não tem fim,
é uma irmã da loucura...

Felicidade é assim,
pintada com muito tons,
macia como o cetim,
repleta de luzes e sons.

Felicidade é um momento,
que nas lentes da magia,
se transforma em sentimento,
preso  na fotografia...



Eu dou muito valor a tudo em minha vida, em minha história, até para os momentos de tristeza, de carência e fome. Afinal eu sou a soma de tudo aquilo que eu vivi. Por isso eu gosto de comida com história. Quando eu estava na faculdade, eu andava a pé e passava muita fome, porque o meu dinheiro dava somente para pagar o pensionato e a escola. Quando sobravam algumas moedas, eu ia à padaria Orly, e eu comprava um canudo de massa recheado com creme, ou o Cannoncini alla crema pasticcera. Aquilo era um evento extremo para mim. Eu comia rezando, para o meu canudo durar mais. Hoje, eu resolvi tirar a barriga da miséria, e eu fiz os meus próprios canudos. Que delícia!!!! A receita é italiana e rende  16, DEZESSEIS canudos! Hoje eu me acabo! ...muitos risos...
Boa noite para você, que nunca sentiu fome. Não aquela fome da dieta, mas a fome de não ter comida e não ter dinheiro para comprar comida. Boa noite para você que conhece essa sensação. Boa noite para você que não conhece essa terrível sensação. Boa noite para você que, como eu, também adora canudos com creme! Bora fazer?

Ingredientes:

CANUDO

RECEITA COM FERMENTO SECO

500 g de farinha de trigo
5 colheres (sopa)  de açúcar
2 colheres cheias (sopa)  de margarina
1 colher (sopa) cheia de fermento biológico seco. Não use fermento químico, o royal e seus assemelhados )
10 g de sal
3 gemas
350 ml de água morna
1 colher (café) de baunilha.

RECEITA COM LEVAIN
150 g de levain (eu usei a proporção 1 1 1)
Desconte a água do levain da quantidade total 

CREME
500  ml de leite
4 gemas
1/2 xícara (chá) de açúcar refinado
1/4 xícara (chá) de açúcar de confeiteiro
1 colher(sopa)de essência de baunilha
1/4 de xícara (chá) de farinha de trigo
1 colher de sopa de maisena ( amido de milho)

Modo de fazer: Bater juntos, todos os ingredientes secos, incluindo o fermente seco, se você fizer essa opção. Se for usar o levain, não use o fermento seco. 
Faça um buraco no centro da farinha, adicionando a manteiga, as gemas, e o levain, adicionando a água aos poucos, e misturando do centro para as bordas. Amasse até obter uma massa homogênea, macia, e lisa. Faça uma bola, coloque em um recipiente coberto e deixe crescer até dobrar de tamanho, ou quase, em um ambiente fechado. Pode ser o forno do fogão, o microondas. Desligado, claro! Depois de crescer, abra a massa, em um formato mais retangular possível, sobre uma superfície enfarinhada, numa espessura de 1/2 cm. Corte em tiras de 2 cm, e enrole nos canudos de cannoli. Improvise com papel alumínio, se não tiver os canudos. Coloque em uma assadeira untada, e leve para crescer em ambiente fechado. Depois de crescido, pincele delicadamente com gema batida e leve ao forno preaquecido a 180º C, por cerca de 20 minutos. Retire e deixe esfriar, enquanto prepara o creme
de confeiteiro
A MASSA
COMO FAZER OS CANUDOS

PREPARANDO O CREME:
Misture o leite e a essência de baunilha em uma panela e leve ao fogo médio para ferver.
Em uma tigela, peneire as gemas, junte a farinha de trigo, a maisena, o açúcar refinado e de confeiteiro. Basta com um fouet, até obter um creme esbranquiçado e fofo. Retire a panela do leite do fogo, e vá misturando o leite fervente, aos poucos e batendo sempre, às gemas batidas. Use a metade do leite fervendo. Quando o creme de gema estiver bem dissolvido  e líquido, despeje tudo na panela do leite, retorne ao fogo, mexendo sempre para não empelotar. Depois de engrossar, cozinho em fogo baixo por mais 3 minutos. Retire do fogo, deixe esfriar, e adicione duas colheres de creme de leite, mexendo bem até incorporar. Coloque em uma tigela, cubra com filme plástico, em contato com a superfície do creme, para não formar película, e leve à geladeira. Se achar que faltou açúcar, acrescente mais metade da quantidade de açúcar refinado a sua receita.


O CREME


Montagem: Desenforme os canudos, e preencha com o creme em um saco de confeitar, pincele com gelatina de brilho e polvilhe com coco fresco ralado.

Ah! Aí vai a receita de Geleia de Brilho
Ingredientes:
3/4 de xícara (chá) de água
1 colher rasa de gelatina incolor em pó
1 xícara (chá) de água
suco coado de meio limão
1/2 xícara de glucose ou de açúcar refinado.

Dissolva a  gelatina incolor em 3/4 de xícara e deixe 5 minutos.
Coloque em uma panela, 1 xícara de água, 1/2 xícara de glucose (ou de açúcar), suco de meio limão e leve ao fogo e ferva de 3 a 5  minutos. Retire do  fogo e adicione a gelatina dissolvida. Mexa bem, até dissolver, e leve à geladeira, por pelo menos 2 horas. Em pote de vidro esterilizado, pode ser guardado por até 60 dias em geladeira.


8 de outubro de 2019

PÃO FOFINHO DE MAÇÃ






Eu gosto de despertar,
com o canto dos passarinhos.
com nuvens correndo depressa,
e os sonhos devagarinho...
Eu gosto de ouvir o mar,
sobre as pedras da costeira.
É um jeito de resgatar,
lembranças da vida inteira.
Da brisa que acaricia,
do perfume do jasmim
da cama limpa e macia,
do banho frio no jardim.
Do café com chocolate,
do vinho servido na taça,
do vermelho do tomate,
do cheiro bom da cachaça.
Eu gosto da imensidão,
de horizontes infinitos,
 do fogo que vem da paixão,
dos desejos em conflito.
Em meus sonhos sobrepostos
é sempre teu nome que eu chamo,
há muitas coisas que gosto,
somente você é que eu amo.


Eeeebaaaaa!!! Depois de um longo período sabático, eu estou retornando, com comidinhas e histórias, temperadas com um pouco de poesia. Ah! As coisas que eu gosto são tantas, que eu passaria a vida descrevendo as coisas que eu gosto. Dentre as tantas coisas que eu gosto, preparar massas é a mais ressaltada. Eu adoro esticar e apertar essas sedosas, perfumadas e macias massas, que crescem entre os meus dedos. Não ria! Eu estou falando de massas! ...muitos risos... 
Vamos para a cozinha, porque hoje esse fofinho e saboroso pão, tem DNA italiana, com um toque ousadamente brasileiro. Vamos viver juntos, essa deliciosa aventura na cozinha. Boa noite para você você que gosta de aventuras! Boa noite para você, que gosta amassar pão! Boa noite para você que gosta  de pão com goiabada mole! Você tem bom gosto! ...muitos risos...


2 xícaras de farinha de trigo
4 colheres (sopa) de açúcar
200 ml de leite
1 colher (sobremesa) de fermento biológico seco. Não é o royal, que é fermento químico.
1 colher (sobremesa) de sal
2 colheres de manteiga bem cheias, em temperatura ambiente.
2 maçãs picadinhas e secas com papel toalha.

FOTO 1
FOTO 2
Modo de fazer: Misture muito bem a farinha com o açúcar e o sal. Dilua o fermento biológico em leite morno, misture com os ingredientes secos e amasse bem. Se precisar, acrescente mais farinha.  A massa não deve grudar nas mãos. Abra a massa com as mãos, e vá adicionando a manteiga, aos poucos, até incorporar toda a manteiga à massa. O jeito mais adequado de trabalhar a massa, é rasgando e dobrando a massa, para ela ficar bem aerada. Depois da massa bem trabalhada, adicione as maçãs picadas, até ficar bem homogêneo, como na FOTO 1. Faça uma bola, cubra a tigela, coloque em um local abrigado (eu coloco dentro do forno - desligado, claro!). Quando dobrar de tamanho, como na FOTO 2, retire da tigela, abaixe com as mãos em forma arredondada, e corte divida em 8 retângulos, como na FOTO 3. Faça um bola com cada um dos 8 retângulos, e coloque em assadeira com furo no centro. Deixe crescer, como na FOTO 4, e asse em forno preaquecido a 190º C, por 20 minutos. Abaixe a temperatura do forno para 180º C e deixe mais 10 minutos. Deixe esfriar e desenforme. Sirva com manteiga, com geleias a gosto. Fica perfeito com goiabada cremosa. É fofinho e delicioso.
Eu uso uma variação que o deixa ainda mais delicioso. Depois de formar a coroa, eu rego com a seguinte cobertura: 1 ovo,  50g de coco e meia lata de leite condensado. Bata tudo junto e espalhe, delicadamente, sobre a coroa de massa. Depois de crescer, asse como a receita original. Fica maraavilhoooso!




FOTO 3





FOTO 4




31 de março de 2019

TIRAMISSU CLÁSSICO


Às vezes eu sou um anjo, 
colorido e trapalhão,
eu planto flores no céu, 
e espalho estrelas no chão.
Perdida na imensidão,
não uso roupas, nem véu.
Às vezes eu ando ao léu,
eu flutuo solta no espaço,
 e empurrada pelo vento,
como as nuvens me desfaço.
Às vezes eu sou valente,
enfrento o que der e vier,
outras vezes, simplesmente,
 sou  mais anjo que  mulher.
Eu não sou boa e nem má.
Essa é minha condição:
eu sou aquilo que há,
dentro do meu coração.

Ai meu Deus! O que pode haver de pior do que um fim de domingo? Talvez seja uma manhã de segunda feira.  Os dois tem o mais horroroso gosto de cabo de guarda-chuva. Como eu sou esperta, eu estou tendo  uma ideia daquelas de gênio. Que tal preparar uma sobremesa fabulosa? Então eu pensei no Tiramisù, sem vacilar.
O Tiramisù, ou Tiramissu e a sobremesa italiana por excelência, a mais amada, a mais famosa e cheia das mais criativas versões. Esta é a clássica.
Embora as origens desta sobremesa famosa não sejam lá muito claras, porque há disputas entre as regiões de Veneto, Friuli Venezia Giulia, Piemonte e Toscana, ainda é uma pedra angular da cozinha italiana preparada sem distinção de norte a sul.
A sua origem ou inspiração, vem dos cafés da manhã preparado pelas nonas, que quebravam um ovo fresco em uma caneca, batiam com açúcar e misturavam café com leite, para as crianças, e os mais velhos adicionavam um pouco da marsala ou de aniz. E é dessa mistura inspiradora, que nasce o creme de mascarpone do tiramisù. Há muitas variações. No Brasil, como o mascarpone é caro e não muito fácil de achar, há receitas que usam o cream cheese, adicionam o chantilly, mas esta é a receita clássica. O Tiramisù pelado, como veio ao mundo!Vamos para a cozinha? Amanhã você pode acordar com um maravilhoso tiramisù na geladeira, prontinho para ser degustado. Isso é muito tentador, não é? Boa noite, para você que cedeu à tentação do Tiramusù,! Boa noite para você que está achando o fim de domingo muito animado! Boa noite para você, que como eu, acho o fim de domingo um horror! Estamos juntos neste barco furado. ...muitos risos...

Ingredientes:
1 pacote de biscoito champanhe,
350 g de queijo tipo mascarpone
4 ovos frescos
8 colheres rasas (sopa) de açúcar
150 ml de café bem forte sem açúcar
1/2 xícara de vinho marsala (pode ser conhaque, grapa)
cacau em pó sem açúcar

Modo de fazer: Use os ovos o mais fresco possível. Separe as claras das gemas, sempre lembrando que, para bater as claras em neve, não pode haver resíduo de gemas.
Para obter um merengue bem consistente, misture as clara com 4 colheres de açúcar, e coloque a tigela sobre boca de uma panela com água fervendo, mexendo sempre, para dissolver o açúcar. São minutinhos! Mexa sempre 
Bata as gemas  com  4 colheres de açúcar, até obter uma mistura fofa. Adicione o mascarpone aos poucos, e bata somente até obter um creme denso e homogêneo.  Não bata demais!
Adicione a clara em neve, aos poucos, mexendo suavemente, de baixo para cima, para não perder a aeração.
Espalhe uma generosa porção do creme no fundo de uma forma de 30 x 20 cm. Misture o café com o vinho marsala, e molhe cada biscoito com o lado com cobertura do açúcar, e alinhe sobre o creme, lado a lado, até cobrir o creme.  Cubra os biscoitos com uma nova camada de creme, e polvilhe com cacau em pó. Repita a operação com mais uma camada de biscoitos e cubra com o creme restante. Polvilhe com cacau em pó, a gosto. Você pode incrementar com lascas de chocolate. Eu gosto de colocar lasquinhas de cereja, mas isso não faz parte da receita original. Deixe na geladeira, coberto com um filme, por pelo menos 24 horas antes de servir.

Conservação: Você pode  manter por alguns dias na geladeira. Pode ser congelado por cerca de duas semanas no freezer.